sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A amplitude na compaixão

Hanamatsuri 2011


Pergunta – (...) O que é a compaixão?




Monge Genshô – A compaixão depende do esquecimento de nosso próprio ego. As pessoas têm um eu que, normalmente, nas mais primitivas pessoas, termina na sua pele. Tais pessoas cospem e jogam lixo no chão porque não enxergam que o mundo vai além de sua pele. Há pessoas cujo “eu” termina na superfície da tinta de seu automóvel, então jogam latas pelas janelas do carro, porque fora do automóvel já não é mais seu mundo. Paulatinamente, podemos ver de que tamanho é o mundo de alguém. Se o mundo vai até a pele, até o carro, aos limites de sua casa. Nunca me esqueço do dia em que vi uma mulher na Alemanha varrendo a rua na frente de sua casa, porque há pessoas que varrem um pouco além de sua casa. Neste caso, esse “eu” estava mais ampliado. Outros pensam que o mundo tem fronteiras, às vezes é sua raça, seu time de futebol ou a fronteira de seu país e os que estão além dessas fronteiras podem ser considerados inimigos. Outros, ainda, pensam assim em relação a sua religião. Tudo depende de como é seu ego. A compaixão surge à medida que você amplia os limites de si mesmo, se estendendo para chegar a abranger todo o universo. Se abranger todos os seres humanos, todos os animais, todos seres vegetais, será difícil quebrar uma pedra, porque não matar, como preceito, inclui não quebrar uma pedra quando não há necessidade, não destruir nada. Porque o mundo é mais amplo, a compaixão se expande. O crescimento da compaixão então compreende esquecer-se de si mesmo, o que significa morrer para si mesmo. Assim fazendo, podemos, então, abarcar tudo, e ao acontecer isso, existe a libertação, porque quando nós manifestamos a ignorância de nos acreditarmos separados de tudo - e os venenos da mente como o apego, a aversão, a raiva, enfim, todos eles dependem de eu acreditar em mim mesmo como ser separado – não temos compaixão. Esta é a ignorância fundamental, a de acreditar que somos um “eu” separado. Porque acreditamos que somos um ser separado de todos os outros, não temos compaixão. Quando morremos para nós mesmos, nasce um ser muito mais amplo e esse ser é naturalmente compassivo, porque a dor do outro dói nele. Na realidade, essa ideia – e isso nos mostra abrangência do Dharma – ela existe nos escritos de Paulo dos evangelhos, “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo que vive em mim”. Isso significa morte do “eu”. Também encontramos o Dharma nos poemas de São João da Cruz, “Morro porque não morro”. Ou seja, morro porque não consigo morrer para mim, e por isso eu não consigo conhecer Deus. Em termos budistas, porque não consigo morrer para mim mesmo, não me ilumino. É a mesma coisa, em outras palavras.


Postado por Monge Genshô - O Pico da Montanha é onde estão os meus pés.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Conheça as sete lutas que influenciam o MMA


O esporte exige muito treino para desenvolver uso da força e agilidade

POR ANA PAULA DE ARAUJO


MMA (Mixed Martial Arts, do inglês) deixou de ser um punhado de letras ou assunto de quem não sai da academia ou pratica lutas marciais. A atividade, que desenvolve o corpo e queima calorias adoidado (são mil calorias, no mínimo, perdidas a cada hora e meia) caiu nas graças de quem acompanha campeonatos esportivos e atrai cada vez mais praticantes - realidade bem diferente da época em que Carlos Gracie, um dos fundadores do jiu-jitsu brasileiro, propôs um desafio a representantes de várias lutas: provar qual delas era mais eficiente. 

"No começo, não tínhamos muitas regras e o esporte era chamado de vale-tudo. Dos anos 1930 para cá, a atividade foi evoluindo até chegar ao MMA que se conhece hoje", afirma Diogo Souza, coordenador de MMA da Team Nogueira Academia, no Rio de Janeiro. "O estilo atual une várias artes marciais, é modulado por regras e preserva a integridade física do atleta." De cada modalidade, o MMA tirou uma característica. "Quanto mais modalidades um lutador estudar, melhor será seu desempenho", diz Gregor Gracie, lutador de MMA e treinador de jiu-jitsu da academia Rolls Gracie, em Nova York. A seguir, saiba o que essa luta pegou emprestado de cada modalidade. 





Jiu-jitsu 

Influência: Superar as adversidades com a força do oponente 

Jiu-jitsu quer dizer "arte suave". Para Diogo Souza, coordenador de MMA da Team Nogueira Academia (cujos donos são os irmãos Minotauro e Minotouro, atletas famosos na modalidade), essa é a definição perfeita para a contribuição da arte marcial para o MMA. Isso porque o lutador não usará a própria força para aplicar o golpe, mas sim a força de seu oponente. "Além disso, o jiu-jitsu é a arte mais eficiente no chão", completa Gregor Gracie, lutador de MMA e treinador de jiu-jitsu da academia Rolls Gracie, em Nova York. Gracie acredita que, para ser eficiente no MMA, o lutador precisa estudar essa arte marcial.  






Muay thai 

Influência: movimentos contundentes 

Se o jiu-jitsu influenciou a luta no chão, é o muay thai que comanda a parte chamada de "striker", ou seja, socos, chutes, joelhadas e cotoveladas. "O muay thai tem os movimentos explosivos. Como o combate começa em pé, existe a marcação do raio de ação do oponente realizada com esses golpes", explica Souza. Um exemplo de atleta oriundo desta arte marcial é o lutador Anderson Silva, um dos principais expoentes brasileiros no UFC (Ultimate Fighting Championship, considerado o maior campeonato de MMA do mundo). 






Judô 

Influência: derrubada do adversário 

Para projetar seu oponente ao solo com eficiência, o MMA adaptou técnicas do judô. "É muito bom para o atleta de MMA saber judô, pois nas lutas é comum um atleta agarrar o outro ainda de pé, o que chamamos de clinch", afirma Gracie. Isso acontece por meio de duas alavancas: enquanto uma parte do corpo puxa o adversário, a outra empurra - por exemplo, o lutador puxa seu adversário com o braço e o empurra com a perna.  






Wrestling 

Influência: desgaste do oponente 

Junto ao jiu-jitsu e ao muay thai, o wrestling é uma das lutas que mais influenciaram o MMA. Assim como o judô, ela também trabalha a derrubada do adversário, mas com um elemento a mais: a isometria. "O lutador de wrestling, além de derrubar o oponente, consegue segurá-lo um bom tempo no chão, pois o wrestler tem capacidade de manutenção de força por um longo período. Isso desgasta o adversário", afirma Diogo Souza. Depois de dominar o outro lutador no chão, é possível iniciar o que é chamado de grounding pounding, que acontece quando um combatente está por cima do outro e tenta acertar seu rosto e tronco com socos e cotoveladas.  






Karatê 

Influência: agilidade 

Um lutador está a certa distância do outro e, em um instante, já está próximo. Para Gregor Gracie, a principal vantagem do karatê é essa: encurtar distâncias em pouco tempo. "O lutador que entende as técnicas do karatê mantém certa distância de seu adversário e, em poucos segundos, já está colado nele", explica. Isso permite que o atleta se aproxime, golpeie e, rapidamente, se afaste, sem ser golpeado. O atleta que treina karatê também se torna mais observador. "Esse lutador, quando sabe que não pode nocautear o oponente, estuda o tempo certo para acertá-lo com precisão. Ele analisa o raio de ação do adversário e analisa melhor a luta. Seu ataque também é mais rápido e ele tem maior tempo de resposta", afirma Diogo Souza. O principal representante do karatê no MMA é o lutador soteropolitano Lyoto Machida. 






Boxe 

Influência: destreza das mãos 

Assim como o muay thai, o boxe também trabalha com movimentos contundentes. No entanto, como nessa luta somente as mãos são ferramenta de golpe, elas acabam sendo trabalhadas de maneira mais refinada e com mais variedade de ataque. "O boxe tem trabalhos de curta distância, com golpes cruzados e ganchos na região abdominal. Isso traz grande índice de nocautes", justifica o treinador de MMA da Team Nogueira Academia. "Essa luta dá maior destreza nas mãos, trazendo maior precisão e força de golpe." 






Capoeira 

Influência: coordenação e flexibilidade 

Influência recente, a capoeira não pode ser ignorada. Por usar muitos golpes de perna, essa luta traz grande mobilidade e desenvolve a flexibilidade do lutador. "A principal vantagem da capoeira é trabalhar bem os dois lados, tanto direito quanto esquerdo. Por isso, o competidor aprimora a coordenação, consegue chutar com as duas pernas e trocar facilmente de base", diz Gracie.  



Fonte: Msn Minha Vida